Textos antigos


Hoje encontrei um texto que escrevi há alguns anos, e decidi compartilhar com o blog. Muitas vezes nossas memórias se perdem, e eu não gostaria que isso acontecesse com os meus textos.

Não pense que é fácil pra mim, acordar todos os dias. Não pense que é fácil trabalhar de bom humor, ou chegar sempre feliz dando “bom dia”. Não pense que sempre estou feliz, animada, e que vivo apenas para festas e aniversários.

Cada dia e cada momento são um lembrete de quão curta é a vida, quão finita.

É tão fácil não irmos em um aniversário prometendo ir no ano que vem, ou não comemorar o nosso, justificando que comemoraremos o próximo. É tranquilo não dar bom dia se está estressado, pois no dia seguinte poderemos ser mais simpáticos. Tão simples procrastinar e ignorar as coisas boas dos nossos dias, pois amanhã poderemos aproveitá-las.

Porém, nem sempre existe o dia seguinte. Em algum momento, não haverá próximo aniversário, ou não estaremos aqui para desejar um bom dia.

Aqueles que amamos, da mesma forma, um dia se vão, e nos deixam sem respostas, sem festas, sem “bom dia”, sem abraços, sem rumo.

Esse texto foi escrito em 2015, 2 anos atrás, e ainda me lembro como me senti nesse momento. Acredito que nada é por acaso, e eu ter encontrado esse texto, justo hoje, mostra o quanto eu preciso rever o que estou priorizando em minha vida.

Memento mori. Carpe Diem.

Érika I Luft.

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Sobre respeitar a dor do outro.


“Pimenta nos olhos do outro é refresco”. Quem nunca pensou nisso?

Vivemos em um mundo onde estamos sempre centrados em nós mesmos, e cercados por sentimentos egoístas. Fazemos o possível para ficarmos bem, para nos sentirmos bem, e para que possamos conviver conosco de forma harmônica e saudável.

Entramos em projetos sociais, campanhas de agasalho, arrecadações de alimentos, tudo com a ilusão de que faremos bem ao próximo, enquanto na realidade o que buscamos mesmo é aquela satisfação dentro de nós. Egoísmo puro.

Isso também ocorre nos revés da vida: nossa dor sempre é maior, mais intensa, e os problemas e dores alheios geralmente são fáceis de resolver.

É fácil exigir compreensão e não compreender. Ofender o quanto quiser, e se sentir ofendido por alguém que se expressou errado. É fácil esfregar a ferida alheia com deboche, e querer que as nossas sejam tratadas com delicadeza, para que sarem. É fácil julgar, apontar, desmerecer o outro, e nem ao menos olhar no espelho.

Pois bem, eu digo a você: o outro também sofre.

No outro também dói, e ele também passa noites em claro chorando. O outro também quer ser compreendido, amado e acolhido em seus momentos difíceis. O outro quer desabafar, e quer que alguém escute. O outro quer que alguém lhe valorize. O outro quer ser alguém que se sente bem. O outro sou eu. O outro é você.

Pense nisso. Antes de julgar e apontar o dedo pra frente ou para o lado, aponte pra si mesmo. Se olhe no espelho e diga o que os outros veem. Seja o outro, pra si mesmo, e respeite a dor que você exige que respeitem. “O palhaço também chora, de trás do picadeiro, quando todos vão embora”.

Paz, amor e bem.

Érika I Luft.

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Sobre o que as crianças dizem.


Muitas vezes, consideramos bobagem ou, de certa forma, desmerecemos o que as crianças dizem. Seus medos, suas opiniões, suas atitudes, sua forma de pensar o mundo… afinal, as crianças não têm a nossa experiência, maturidade ou malícia para ver o mundo, então não sabem direito o que estão fazendo.

“Quando tu crescer, vai entender o porquê disso” foi o que muito ouvimos e que, incrivelmente, hoje muito falamos.

Hoje me flagrei pensando em um desenho bem comum da minha infância, “Coragem, o cão covarde”. Que desenho engraçado! Como era divertida a forma com que o cão realmente se assustava com tudo, até as coisas mais pequenas. As crianças, de certa forma, também possuem essa “graça” de se assustar com tudo, e são diariamente “sabotadas” por isso.

“Não precisa ter medo disso”; “isso é bobagem”; “chega de choro” são frases ditas corriqueiramente por adultos, e muitas vezes inibem as crianças, e faz com que elas não se sintam à vontade para conversar a respeito do que sentem.

Eu tenho medo de escuro, e nunca uma criança riu de mim. Então por quê eu devo desrespeitar o medo dela, se ela respeita o meu?

Sejamos mais sábios, e aprendamos. Aprendamos que não somos melhores. Que não podemos pedir o que não cumprimos. Que devemos respeitar e entender, e nos esforçar para aprender. Hoje, vejo claramente que as crianças são os maiores professores que eu já tive: eles passam a infância inteira tentando nos fazer lembrar o que é ser puro e criança, enquanto os adultos passam esse mesmo tempo tentando dissuadi-los dessa ideia.

Paz, amor e bem.

Érika I L.

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Sobre amores e desapegos.


Esses dias li um texto interessante, sobre nem sempre ficarmos com o amor da nossa vida.

Realmente, alguns de nós temos muita sorte em encontrar o amor da nossa vida, e talvez seja egoísmo demais querer que esse amor fique conosco até o fim.

Um relacionamento não vive só de amor, e o amor não vive apenas de relacionamento. Hoje eu entendo com mais clareza o que isso quer dizer.

Não basta amor para um relacionamento existir. É necessário o pacote todo: companheirismo, paciência, respeito, confiança, fidelidade, parceria, amizade… Um baita combo, como se diz na minha terra.

Em contrapartida, o amor por si só pode existir sem um relacionamento. Pode existir por amor, mesmo à distância, mesmo que o relacionamento termine por falta desse “combo” já citado.

O amor é raro, é lindo, e faz com que os rompimentos sejam com dor, porém compreensíveis. O amor permite que a amizade exista após os términos; que até mesmo o fim seja visto com a alegria de ter vivido algo tão puro e lindo como em um conto de fadas.

Mas eis a grande questão: quando saber a hora de reconhecer que o amor, tão lindo, necessita ser livre? E como deixá-lo livre, se é amor? Como seres humanos egoístas que somos, será que estamos dispostos a abrir mão de algo tão perfeitamente inimaginável como o amor?

Paz, AMOR e bem.

Érika I Luft.

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Quantos livros você viveu esse ano?


Vejo várias discussões na internet sobre mates de leituras, cálculos de “quantas páginas devo ler por dia para cumprir a meta de 500 livros em um ano”, ou competições de “eu li mais livros do que você”, como se um leitor lento tivesse menos mérito que um leitor a la “Velozes & Furiosos”.

Pensei e repensei a respeito, e enfim decidi traçar uma meta também. Simples, não?

Na realidade, achei extremamente difícil e percebi que isso para mim é impossível.

Li “Lucy: uma história de fé e perseverança” em um dia. “O Casamento”, li em dois. Para “Eu me chamo Antônio”, bastaram alguns minutos; e “O Vermelho e o Negro” me rendeu três longos meses.

Eu vivo os livros. De modo semelhante a como vivo os momentos. Cada qual no seu tempo, contando sua história, tentando ser compreendido. E talvez venha daí minha teoria de que não existe livro ruim.

Os livros, na minha percepção, existem para ser vividos e para ensinar. Cada um traz sua história, sua lição, e vem nos ensinar a julgar menos e a aprender mais.

Considero triste alguém taxar um livro como “ruim”, e influenciar várias pessoas a não ler. Vejo triste, também, a forma como algumas pessoas se sentem constrangidas ao perceber que leem “menos” do que outros.

Por favor, querida pessoa que lê: não desista, e não se sinta menos do que alguém. Você é incrível, lendo meio ou quarenta livros em um mês.

Os livros, assim como os momentos, não existem apenas para ser contados (numericamente), mas também para ser vividos.

Paz, amor e bem.

Érika I. Luft.

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O que é natal?


Aprendi desde cedo que natal é significado de esperança, renovação, renascimento.

Na prática, honestamente, o natal era presentes, comida boa e assistir o “Show da virada”. E, depois de alguns anos, nem isso.

O ano de 2016 está um pouco do avesso. Criou surpresas que me tiraram dos eixos, e está difícil de retornar. Tanto isso é verdade que, depois de tanto tempo, hoje me flagro pensando em natal.

O natal é esperança, mas o que é esperança? Hoje aprendi um pouco sobre isso, e acredito que esperança nada mais é do que “doar-se”.

Doar-se, por sua vez, é fazer algo pelos outros, e ser feliz por isso. Porque doando-se pelos outros, doa-se por si mesmo.

Doar-se é caminhar num sol de 30ºC durante o horário de almoço para procurar um lápis de desenhar. É aprender a ter pulso firme e não demonstrar fraqueza, mesmo que algumas vezes o choro venha no final do dia. É dedicar tempo da sua vida para programar uma atividade, e se emocionar quando alguém te desenha em um cartaz.

É ver que existem pessoas que realmente acreditam em Papai Noel e, ao ver uma criança acreditando com tanta sinceridade, é acreditar um pouquinho também. É sentir o cansaço mental do dia, ter uma tontura devido à pressão baixa, e sentir revigorar por ganhar um cartão, um abraço e um copo d’água. É olhar para pessoas que você conhece a tanto tempo e ver o quanto evoluíram ao longo do ano, em parte graças ao seu trabalho.

Esse ano trouxe à tona vários sentimentos que há tempos não viviam em mim, inclusive o natal, até mesmo na minha casa. Hoje entendo um pouco mais sobre natal, esperança, doar-se.

Hoje minha mãe disse “uma vez Papai Noel, sempre Papai Noel”. A ironia é que, justo hoje, presenciei o nascimento de um Papai Noel e a despedida de outro. Estranho esse sentimento de “legado”, e como a vida gira em torno de algo que desconhecemos.

Há quase 20 anos eu também era uma dessas crianças que realmente acredita, que realmente espera que o seu Papai Noel traga a alegria.

Hoje, foi-se embora para outro plano o meu primeiro Papai Noel, e posso não lembrar do seu rosto e da sua voz. Mas ao ver o “nascimento” de um novo “bom velhinho”, sei exatamente tudo o que ele me trouxe: natal.

E o natal é esperança, é doar-se. E esse é o melhor presente que já recebi.

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Seja a mudança que quer ver no mundo…


… e como é difícil efetivamente seguir isso.

Gosto sempre de comentar que essa é a frase que rege minha vida e meus objetivos. Mas será que minhas ações complementam efetivamente minhas palavras?

“Seja a mudança que quer ver no mundo”, Gandhi disse. Não espere que os outros façam algo que você desaprova, faça antes. Sirva de exemplo. Não julgue o que você repete. Desconsidere o dito “faça o que digo, e não o que faço”. Aja, tome as iniciativas, torne-se quem você espera ver. Inspire-se em si mesmo.

Será que eu realmente faço isso?

Espero que as pessoas sejam compreensivas, e saibam me ouvir. Mas quantas vezes por dia eu interrompo, coloco meus valores acima dos outros, e falo sobre os meus problemas sem ouvir o que o outro tem a me dizer?

Inconscientemente, tento dar lições de moral em todos, contar minhas experiências para que as pessoas não cometam “erros”, prever o futuro para que meus amigos não se frustrem. Mas isso é para o bem deles, ou meu?

Não posso controlar os desejos das pessoas, nem ensiná-las a não fazer o que é errado. Pois afinal, o que é errado? O que é errado para mim, não é errado para você. “Erro” e “acerto” são coisas tão subjetivas em alguns sentidos, que considero hipocrisia de minha parte acreditar que estou fazendo alguma diferença no mundo.

Quando caio na realidade de meu discurso falho, procuro alternativas. Tomo decisões. Decido ouvir mais; parar de falar sobre algo que me dói, mas que sempre menciono. Desapegar do que não é meu. Deixar o coitadismo de lado. Desprender da ilusão de que os outros devem aprender com minhas experiências, e permitir que criem suas próprias, sem minha interferência.

Mas até quando conseguirei cumprir essas metas? Quando minha vontade de ser o centro das atenções voltar, como fazer para ser a mudança que quero ver no mundo?

Amigos, talvez “paciência” seja a resposta. E hoje vejo-me grata pelas pessoas ao meu redor, que possuem essa habilidade comigo, mesmo que eu não seja recíproca. Eis que a mudança que quero ver no mundo, eu já esteja vendo. Só falta ver em mim.

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